artistic residence





Video-Expeditions / Video-Expedições. Artistic Action / Ação, 2011.
Action held during the artistic residence program Terra UNA, in Minas Gerais (Brazil). / Ação realizada durante o programa de residência artística Terra UNA, em Minas Gerais. 









Brainstorm. Performance Video, 1 min, 2011. 
Image of the work in a group exhibit, during the artistic residence program Terra UNA, in Minas Gerais (Brazil). / Imagem do trabalho em exposição coletiva durante o programa de residência artística Terra UNA, Minas Gerais. (Photo: Mayra Martins Redin)







The messenger and his double / O mensageiro e seu duplo.
Video, 3 min, 2011.
With the partnership of / Em parceria com AoLeo & Fernando d'Pádua.

"The messenger and his double" is one of the videos produced during the artistic residence program Terra UNA, in Minas Gerais (Brazil, 2011). This work has been exhibit in several festivals, including: "60n Os International Film Festival", Os, Norway, 2012; "FILMIDEO 2012", Index Art Center, Newark-NJ, USA, 2012;“11a. Mostra do Filme Livre", Rio / Brasília / São Paulo, Brazil, 2012. / "O mensageiro e seu duplo" é um dos videos produzidos durante o programa de residência artística Terra UNA, em Minas Gerais (2011). Este trabalho tem sido apresentado em diversos festivais, incluindo: "60n Os International Film Festival", Os, Noruega, 2012; "FILMIDEO 2012", Index Art Center, Newark-NJ, E.U.A., 2012;“11a. Mostra do Filme Livre", Rio / Brasília / São Paulo, Brasil, 2012.
 




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Forest Interactions Award 2011
Artistic Residence Terra UNA


(sorry, portuguese only)





Prêmio Interações Florestais 2011




A partilha do sensível (ou viagem ao centro da terra)

A experiência de troca e envolvimento, que havia começado no site do Interações Florestais com o bate-papo entre artistas inscritos com propostas e sonhos, agora passava para um novo estágio: a residência artística em si.


A maioria veio junto, de ônibus, até uma cidade próxima, e de lá partimos naquele fim de tarde para o início da aventura. Logo o tempo mudou e um temporal assolou a estrada de terra, que virou lama, e os carros não passavam mais. Caiu a noite e lá estávamos nós, de alma lavada, encharcados e felizes, chegando.

O pequeno Tuan, Jaya e Nadam nos receberam com um “bem-vindos à Terra UNA”, na casa da Borboleta – o ponto central da ecovila. Logo em seguida veio Nana. Reunidos na cozinha, de mãos dadas, cantamos e dançamos em roda... Celebramos nossa existência ali juntos, e, entre tantas outras coisas, conversamos, noite adentro... Foi assim, alcançando o belo, nosso primeiro dia em Terra UNA. A partir dali, seriam quatro semanas de convivência em comunidade naquela usina de força poética criadora, em meio a uma floresta, nos vales da Mantiqueira.

Terra UNA encanta.

Meditar, observar, interagir... O silêncio, a partilha, o mutirão... Pouco a pouco nos acompanha uma sensação de pertencimento a algo maior, indescritível... Percebemos a vida e a arte se entrelaçando de maneira diferente... Sentimos o acaso e as leis da natureza... Tudo nos conduzindo a um improvável descobrir de forças e limites, de superação e descondicionamento. Uma verdadeira expedição, uma viagem ao centro da terra e de nós mesmos.

Realizar e colaborar nos projetos artísticos de cada um acaba se tornando um caminho natural de querer o melhor para o outro, para cada membro dessa nova grande família. Pensar propostas em conjunto também, porém são menos freqüentes - pois que é preciso dar conta dos trabalhos individuais de cada um e às vezes isso envolve a urgência do tempo. Precisamos aprender a lidar mais com ele, o tempo; mas também com nossas expectativas, nossas perspectivas, deixar fluir e viver aquele momento, transbordar, nos reinventar. Somos seres inquietos, mas ali aprendemos um novo tempo das coisas.

Das experiências mais interessantes, a maioria acontece quando estamos juntos, embriagados pela convivência. O lugar, as pessoas, tudo se transforma em campo expandido de possibilidades, que despertam, que transcendem. O impulso criador reencontra necessidades vitais. Vem uma certeza quase misteriosa de que aquilo, a experiência, vai permanecer, nos acompanhar dali em diante. Quem sabe alguns de nós consigam traduzir tudo isso e compartilhar, com toda a magia do sensível, aquela vivência; ou quem sabe só mais na frente, no futuro, toda essa energia se manifeste e se espalhe, além-nós.

Seduzidos pela memória, e pela verdade dos dias, a vontade é de continuar a habitar aquela realidade.

O sol já se pôs, mas ainda não terminou. A noite se apresenta e nos reserva outras surpresas... E quem sabe, amanhã tem mais.

Longa vida Terra UNA, terra de todos nós. 




O cartaz da floresta

Bichos-artistas enveredam-se pela mata, caminhando juntos, seguindo em expedição-descobrimento do sensível em cada um e nos arredores. É o primeiro dia da jornada. Ninguém leva máquina além da fotográfica, outros registros –se houverem– ficarão por conta de fragmentos de memória. Melhor assim.

O cartaz do sublime pendurado na floresta diz: “volto logo”. E num instante, não está mais ali. Há de se estar atento por estes lados. Tudo se move e nos movemos em busca de algo que não sabemos bem o que é; o barato poético passa a ser esse desconhecido a ser investigado, pelo caminho, em nós e nos outros. Ouvimos sons. Não estamos sozinhos. Outros seres nos observam, sem percebermos. Cantamos, sorrimos, estamos unidos. A natureza nos concede passagem, aos poucos. Seguimos, adiante. (...) As horas passam. O desafio continua. A respiração, difícil. O vento nos acompanha, e depois, a chuva. O céu anuncia novos rumos. Entendemos os sinais, do corpo e de Gaia: é chegada a hora de voltar. E voltamos.

No dia seguinte, reinventamos nossos destinos.



Vídeo-Expedições

Ao longo da residência, percebi que projeto de realizar vídeo-expedições deveria se tornar uma experiência mais informal do que inicialmente havia previsto, sem uma estrutura rígida, porém com a mesma lógica: fazer caminhadas de estudo e investigação, buscando um mapeamento de sensibilidades, um inventário de olhares, produzindo imagens gravadas pelos próprios participantes da ação, em um processo colaborativo e participativo.

Algumas saídas foram em conjunto com ações de outros artistas-residentes e acabaram por se tornarem partes inerentes àquelas propostas. Outras investidas foram realizadas através das oficinas do Ponto de Cultura, na cidade de Liberdade (Minas Gerais). Mas houveram também aquelas sem o meu acompanhamento direto ou mesmo introspectivas - situações que foram percebidas ou sugeridas na própria dinâmica da convivência diária; a câmera de vídeo estava sempre disponível, e mais importante: o impulso poético, a vontade de fazer, não tinha hora marcada pra acontecer.



 ( Estudo 1 )

Inventário de olhares

Da experiência toda, resultaram mais de 17 horas de material gravado; não há dúvida que a plenitude de fruição artística se deu no momento da ação, durante a vivência. Mas agora o desafio passa a ser compartilhar um pouco daquela experiência, através dos registros.

A idéia inicial era produzir um vídeo como dispositivo de registro, no sentido de dar conta daqueles diferentes modos de ver o mundo, sem ter “a autoria em si” como questão, pois que esta se encontra dissolvida ou mesmo não-identificável, pela própria natureza da proposta. A escolha de apresentação foi a de fazer uma série de pequenos desvelamentos das imagens, realizando vídeos de curta duração – que no futuro podem ser agrupados. As possibilidades de recorte são muitas, e estão abertas.
O trabalho está em andamento.

Algumas imagens preliminares foram exibidas ao final da residência artística, dentro da ecovila, durante o período de visitação, e também numa exposição coletiva na antiga estação de trem de Augusto Pestana, na vizinhança.




Tuan e Jaya na Casula


Nadam tocando a Concha (um chamado para nos reunirmos )

Nana na Borboleta
Apresentação de Projetos no início da residência

Oficina Ponto de Cultura (Vídeo, Khalil) - foto: Nadam Guerra

Oficina Ponto de Cultura (Colagens, AoLeo) - foto: Nadam Guerra
  
Na Borboleta: Elvis, Deborah, Mayra, Cindy, Nadam e AoLeo



Quimeras da Mantiqueira

Série de quimeras (fantasias) realizadas durante expedições noturnas, quando estranhos seres terráqueo-unenses coabitavam alguns artistas-residentes.

Cenas gravadas entre o alojamento e a casa da Borboleta,
enquanto dormiam as almas boas...



"O mensageiro e seu duplo" (Quimera 7) 


Veja outras quimeras em www.youtube.com/user/KCharif



Projeto Liberdade

Ação que consistiu em lançar a pergunta: "O que é liberdade para você?", à comunidade de Liberdade (MG). A intenção foi "o pensar" no sentido daquela palavra.

Para a quase totalidade das pessoas que me aproximei, foi a primeira vez que se depararam com esta pergunta em suas vidas - um dado que me motivou a buscar tornar essa ação viral e assim ampliar sua potência. Foram feitas várias idas à cidade, mas também aconteceu dentro da ecovila e nos arredores.
Um sem número de pessoas foram provocadas a responder, por variados motivos apenas uma pequena parcela destas foram registradas. A tantas outras, foi deixada a pergunta no ar. Fazer pensar, já é.

Por escolha poética, este trabalho buscou evitar um aprisionamento das "respostas" em um espaço-tempo matéria, pois que afinal: o que é liberdade para você?




Veja o registro da ação em vimeo.com/30117790




“Quem será, então, o artista do futuro? Necessariamente, a comunidade de todos os artistas... A obra de arte do futuro é coletiva. Esse desejo, no plano prático, só é pensado na comunidade de todos os artistas; o que constitui essa comunidade é a união de todos os artistas, segundo o tempo e o lugar, em vista de um objetivo determinado.


É dessa maneira –e não de outra- que o agrupamento de artistas do futuro tem que se constituir, logo que os una o objetivo da obra de arte, e não outro. Perguntar-se-á, então, quem será o artista do futuro. O poeta? O ator? O músico? O artista plástico? – Digamo-lo simplesmente: o povo. O mesmo povo a quem, ainda hoje, devemos a única verdadeira obra de arte que vive na nossa recordação e que só desfiguradamente imitamos, o povo a quem unicamente devemos a arte.”

“A Obra de Arte do Futuro”, Richard Wagner (1849).




"Ponto Central", Ação: Deborah Cimini  / Colaboradores: Família Terra UNA / Vídeo: Khalil Charif
 Livre registro da ação de Deborah Cimini, proposta de ativação/celebração do "Ponto Central", realizada durante a residência artística Terra UNA, Prêmio Interações Florestais 2011. Participam visitantes, artistas e moradores da ecovila localizada em Liberdade-MG.


 


(em construção) Em breve, novas imagens e vídeos da residência.

Créditos: Vídeo-Expedições teve como colaboradores os artistas-residentes e moradores da ecovila, além de passantes e alunos da Escola Estadual Frei José Wulff, em Liberdade-MG. Na oficina do Ponto de Cultura, colaboração de Nadam Guerra e Mayra Martins Redin. As criaturas da noite em Quimeras são AoLeo, Fernando d´Pádua e eu. O Projeto Liberdade contou com a colaboração de Alexsandra Helena de Faria e Silva, AoLeo, Deborah Cimini, Ingridi Ariel M. Costa, Juarez Bento da Silva, Luciele de Paula Pacheco, Maria Luiza Sandim Barbosa, Nadam Guerra e Thagda Seixas Alves. A todos, e a família Terra UNA, gratidão.